Senryu: Sorriso em rua cheia
em 28.03.00
A menina, sem notar,
Vira um pescoço,
Despertando meu sorriso.
30.10.01
21.10.01
Senryu no trem
em 26.12.99
Num instante de escuridão,
Um rápido beijo
Roubado de um rosto em branco
em 26.12.99
Num instante de escuridão,
Um rápido beijo
Roubado de um rosto em branco
17.10.01
Hai-kai na janela I
em 17.10.01
Da minha janela
Não vejo quase que nada:
Cortina fechada
(Fiz esse para o Janelas do Mundo, projeto do professor André Lemos)
em 17.10.01
Da minha janela
Não vejo quase que nada:
Cortina fechada
(Fiz esse para o Janelas do Mundo, projeto do professor André Lemos)
16.10.01
Dos Diários de Ulisses VII
em 14.02.01
Há muito não conto com a gentileza de Apolo. Sabia que seria
desprezado depois de Tróia - mas nunca imaginei que o Sol sairia
de seu caminho para interferir em meus sonhos. O deus me
amaldiçoou com a benção da profecia perfeita.
Todos os presságios presentes e passados passam por mim. Há
mil mundos em meus sonhos, mais idéias do que posso contar.
Mais vidas do que posso viver.
E contra sonhos não há luta.
em 14.02.01
Há muito não conto com a gentileza de Apolo. Sabia que seria
desprezado depois de Tróia - mas nunca imaginei que o Sol sairia
de seu caminho para interferir em meus sonhos. O deus me
amaldiçoou com a benção da profecia perfeita.
Todos os presságios presentes e passados passam por mim. Há
mil mundos em meus sonhos, mais idéias do que posso contar.
Mais vidas do que posso viver.
E contra sonhos não há luta.
28.9.01
Na Madrugada
em 28.09.01
"Ela tinha razão."
Era só o que ele conseguia pensar enquanto escutava o disco. Agora, enquanto tentava ouvi-lo apenas como algo relaxante para que pudesse dormir, não conseguia evitar a opressão estocada ali.
"Não ouço música quando estou triste. Deito e choro. Já perdi vários discos assim, ouvindo música nas horas erradas. Quando paro para pensar, acho que fico mais triste pelos discos que pelos motivos originais das tristezas."
Ele se via obrigado a concordar - apesar da veemência com que discordou originalmente. E ter que reconhecer que ela tinha razão só piorava a situação: a recordação da conversa e de estar lá lembravam outros momentos, outros erros.
Chegou a uma conclusão. Nada de Folk para dormir: Ambient.
em 28.09.01
"Ela tinha razão."
Era só o que ele conseguia pensar enquanto escutava o disco. Agora, enquanto tentava ouvi-lo apenas como algo relaxante para que pudesse dormir, não conseguia evitar a opressão estocada ali.
"Não ouço música quando estou triste. Deito e choro. Já perdi vários discos assim, ouvindo música nas horas erradas. Quando paro para pensar, acho que fico mais triste pelos discos que pelos motivos originais das tristezas."
Ele se via obrigado a concordar - apesar da veemência com que discordou originalmente. E ter que reconhecer que ela tinha razão só piorava a situação: a recordação da conversa e de estar lá lembravam outros momentos, outros erros.
Chegou a uma conclusão. Nada de Folk para dormir: Ambient.
22.9.01
En Chassant l'Idée
em 22.09.01
Passeava pelo conto com sofreguidão, narrando sua própria leitura. Sabia que havia encontrado uma idéia ali. E - como acontecia toda semana - a perdeu ali também, algumas palavras mais pra lá, um pouco depois da esquina.
Entrada em cada frase, cada palavra, como deve-se percorrer os textos divinatórios. Cada palavra se oferecia em várias direções, mas nunca como ele queria. Fingiu até abraçar uma das novas idéias que encontrou, esperando que a outra aparecesse na porta e pedisse explicações.
Nada.
Desistiu, quase de verdade. Aquela idéia era só mais uma sentada num café: uma possibilidade que não resistiria ao tempo.
em 22.09.01
Passeava pelo conto com sofreguidão, narrando sua própria leitura. Sabia que havia encontrado uma idéia ali. E - como acontecia toda semana - a perdeu ali também, algumas palavras mais pra lá, um pouco depois da esquina.
Entrada em cada frase, cada palavra, como deve-se percorrer os textos divinatórios. Cada palavra se oferecia em várias direções, mas nunca como ele queria. Fingiu até abraçar uma das novas idéias que encontrou, esperando que a outra aparecesse na porta e pedisse explicações.
Nada.
Desistiu, quase de verdade. Aquela idéia era só mais uma sentada num café: uma possibilidade que não resistiria ao tempo.
14.9.01
Uma Alternativa Datada
em 28.10.99
Conversas em mezaninos e varandas. O tilintar de taças. Olhares furtivos para o horizonte e não tão furtivos por entre decotes. Relógios checados a cada minuto, em busca de mais tempo. Inexiste mais tempo. Uma resignação quase alegre se mistura no ar com a música e os muitos perfumes.
Tudo começa a se definir no horizonte, tão impossível de impedir ou adiar quanto de não se maravilhar. Fascínio e civilidade. Nenhuma descrença ou desespero. Os últimos brindes, beijos e palavras. A última música, a lembrança de algo que deveria ter
sido feito...
Uma última olhada no relógio confirma: tudo bem a tempo.
em 28.10.99
Conversas em mezaninos e varandas. O tilintar de taças. Olhares furtivos para o horizonte e não tão furtivos por entre decotes. Relógios checados a cada minuto, em busca de mais tempo. Inexiste mais tempo. Uma resignação quase alegre se mistura no ar com a música e os muitos perfumes.
Tudo começa a se definir no horizonte, tão impossível de impedir ou adiar quanto de não se maravilhar. Fascínio e civilidade. Nenhuma descrença ou desespero. Os últimos brindes, beijos e palavras. A última música, a lembrança de algo que deveria ter
sido feito...
Uma última olhada no relógio confirma: tudo bem a tempo.
31.8.01
Prozac Pulp
em 26.10.99
É noite na Cidade. Uma noite quente, daquelas em que ter ou não ter um ventilador não faz a mínima diferença. E mesmo assim não consigo me desfazer do chapéu e do sobretudo. Maldito Bogart. Tirá-los me deixa tão vazio e desprotegido...
E não posso parecer vazio e desprotegido na minha linha de trabalho. Principalmente depois da demissão. Fiz o possível para ser demitido, os direitos trabalhistas compensavam. (Se meu pai me visse agora, comprando meus mentolados com o dinheiro do contribuinte...) Meu analista acha que foi uma péssima jogada falar sobre os Arcontes. Mas o que posso fazer. É a mais pura verdade. Ou um dos dois aparentes lados da Moebius do real.
Nada me entretém nessa noite. Nem o rádio que toca Blue Moon, nem brincar com meu zippo, nem as revistas pornográficas. Por que diabos as comprei? Não consigo me livrar da fascinação mórbida que me tomou depois de ver o que os servos dos Arcontes tinham que fazer com as garotas antes de alimentar o Filho da Lua. Ainda posso ver a imagem atrás dos meus olhos. Toda pornografia precisa de degradação, mas agora vejo tudo degradado. (Será só desejo essa inquietação?)
Não agüento mais ficar acordado nesse escritório infernal. É estranho ver o olho na porta. Principalmente depois de anos correndo na frente de policiais e de meus hoje colegas para perguntar o que esperavam ver já tendo as fotos no filme. Eu devia ter corrido menos naquele dia. E devia ter jogado o filme fora. Não que faça diferença para Eles que eu saiba ou não. Mas faz para mim. Eu gostaria de poder ignorar o que tenho em mãos.
Me pego mais uma vez perto da porta, olhando para as fotos novamente expostas no varal. A porta já estava aberta. Estranho como me sinto sentado ainda (novamente?)... Mas não posso, por mais que deseje, sair. A Célula espera me encontrar aqui. Chang disse que só os riscos de giz me protegem Deles. Há dois dias não tenho coragem de tentar sair do círculo. Chinês maldito. Sempre sabe de tudo. Definitivamente ele não aprovaria o uso de whisky ou coca agora.
O barulho da chuva me atrai até a janela. O vento se apressando e os pingos cada vez maiores e mais frios quase acabam com minha infelicidade tão cultivada. Ainda bem que a pílula amarela e azul de que tanto preciso acabou de escorregar para a rua.
A espera acaba de aumentar.
em 26.10.99
É noite na Cidade. Uma noite quente, daquelas em que ter ou não ter um ventilador não faz a mínima diferença. E mesmo assim não consigo me desfazer do chapéu e do sobretudo. Maldito Bogart. Tirá-los me deixa tão vazio e desprotegido...
E não posso parecer vazio e desprotegido na minha linha de trabalho. Principalmente depois da demissão. Fiz o possível para ser demitido, os direitos trabalhistas compensavam. (Se meu pai me visse agora, comprando meus mentolados com o dinheiro do contribuinte...) Meu analista acha que foi uma péssima jogada falar sobre os Arcontes. Mas o que posso fazer. É a mais pura verdade. Ou um dos dois aparentes lados da Moebius do real.
Nada me entretém nessa noite. Nem o rádio que toca Blue Moon, nem brincar com meu zippo, nem as revistas pornográficas. Por que diabos as comprei? Não consigo me livrar da fascinação mórbida que me tomou depois de ver o que os servos dos Arcontes tinham que fazer com as garotas antes de alimentar o Filho da Lua. Ainda posso ver a imagem atrás dos meus olhos. Toda pornografia precisa de degradação, mas agora vejo tudo degradado. (Será só desejo essa inquietação?)
Não agüento mais ficar acordado nesse escritório infernal. É estranho ver o olho na porta. Principalmente depois de anos correndo na frente de policiais e de meus hoje colegas para perguntar o que esperavam ver já tendo as fotos no filme. Eu devia ter corrido menos naquele dia. E devia ter jogado o filme fora. Não que faça diferença para Eles que eu saiba ou não. Mas faz para mim. Eu gostaria de poder ignorar o que tenho em mãos.
Me pego mais uma vez perto da porta, olhando para as fotos novamente expostas no varal. A porta já estava aberta. Estranho como me sinto sentado ainda (novamente?)... Mas não posso, por mais que deseje, sair. A Célula espera me encontrar aqui. Chang disse que só os riscos de giz me protegem Deles. Há dois dias não tenho coragem de tentar sair do círculo. Chinês maldito. Sempre sabe de tudo. Definitivamente ele não aprovaria o uso de whisky ou coca agora.
O barulho da chuva me atrai até a janela. O vento se apressando e os pingos cada vez maiores e mais frios quase acabam com minha infelicidade tão cultivada. Ainda bem que a pílula amarela e azul de que tanto preciso acabou de escorregar para a rua.
A espera acaba de aumentar.
28.8.01
21.8.01
Necrópole Pessoal - 3 de ?
em algum momento de 2000
Ele andava só pelas ruas, mesmo depois do acidente. Vestia um terno desbotado e um chapéu amassado, vagava de ponto em ponto carregando um sorriso e o violão.
A rotina dele era bastante semelhante à de um grande período da sua vida: entrava pela porta da frente, tirava o chapéu numa reverência enquanto sussurrava boa noite, dizia o nome de uma música e começava a tocar.
A diferença maior começava nesse momento. Às vezes com sorrisos sem motivo, outras com beijos apaixonados, poucas - com o ônibus particularmente vazio e silencioso - gritos assustados. Mas sempre era notado. E - de um modo que justificava a insistência - aplaudido.
em algum momento de 2000
Ele andava só pelas ruas, mesmo depois do acidente. Vestia um terno desbotado e um chapéu amassado, vagava de ponto em ponto carregando um sorriso e o violão.
A rotina dele era bastante semelhante à de um grande período da sua vida: entrava pela porta da frente, tirava o chapéu numa reverência enquanto sussurrava boa noite, dizia o nome de uma música e começava a tocar.
A diferença maior começava nesse momento. Às vezes com sorrisos sem motivo, outras com beijos apaixonados, poucas - com o ônibus particularmente vazio e silencioso - gritos assustados. Mas sempre era notado. E - de um modo que justificava a insistência - aplaudido.
15.8.01
Necrópole Pessoal - 2 de ?
em algum momento de 2000
Há muito tempo, segundo o próprio, ele vinha sendo assombrado por um amor antigo. Na maior parte do tempo, era fácil ignorar. Bastava se concentrar em outra pessoa e as coisas transcorriam sem muitos problemas.
Mas, ultimamente, tudo vinha se complicando. Ele tinha encontrado uma nova paixão. Mas, em momentos cada vez mais freqüentes, ele enxergava nela seu antigo amor. Os indícios iam se acumulando aos poucos. Num dia, o mesmo número na tintura de cabelo. Noutra noite, a mesma combinação de velas, música, taças e talheres de anos passados.
Não que ele desgostasse da situação: tinha saudades daquele amor morto. Mas já o tinha - dizia - enterrado. Mas queria viver o amor novo. Mesmo que só pelos medos dos erros antigos.
O fantasma distante foi dominando a situação atual a tal ponto que - durante algumas semanas - o amor do momento é que era a memória etérea.
Uma tarde de domingo assistiu, entre gemidos e corpos suados, o fantasma partir. Bastou um nome - certo ou errado - sussurrado uma única vez.
em algum momento de 2000
Há muito tempo, segundo o próprio, ele vinha sendo assombrado por um amor antigo. Na maior parte do tempo, era fácil ignorar. Bastava se concentrar em outra pessoa e as coisas transcorriam sem muitos problemas.
Mas, ultimamente, tudo vinha se complicando. Ele tinha encontrado uma nova paixão. Mas, em momentos cada vez mais freqüentes, ele enxergava nela seu antigo amor. Os indícios iam se acumulando aos poucos. Num dia, o mesmo número na tintura de cabelo. Noutra noite, a mesma combinação de velas, música, taças e talheres de anos passados.
Não que ele desgostasse da situação: tinha saudades daquele amor morto. Mas já o tinha - dizia - enterrado. Mas queria viver o amor novo. Mesmo que só pelos medos dos erros antigos.
O fantasma distante foi dominando a situação atual a tal ponto que - durante algumas semanas - o amor do momento é que era a memória etérea.
Uma tarde de domingo assistiu, entre gemidos e corpos suados, o fantasma partir. Bastou um nome - certo ou errado - sussurrado uma única vez.
4.8.01
Torpor
Em 08.11.99
na noite, sozinho
sonhava com o torpor
de seu narguilé
Em 08.11.99
na noite, sozinho
sonhava com o torpor
de seu narguilé
1.8.01
Dos Diários de Ulisses VI
em 10.10.00
Não consigo mais lembrar todas as aventuras por que passei. Desde
de Ítaca, perdi a conta das vezes que vi ao largo o Barqueiro e
coloquei um óbulo em minha boca. Entre os poucos achados e
muitos perdidos, a única constância foi esse diário.
No último desequilíbrio da Fortuna, houve um momento que pude
escolher entre meu arco e estas notas. Mas salvar o diário era todo
o importante. Mesmo ao pensar - faminto - na minha arquearia, não
consigo me arrepender.
As notas são minha imortalidade.
em 10.10.00
Não consigo mais lembrar todas as aventuras por que passei. Desde
de Ítaca, perdi a conta das vezes que vi ao largo o Barqueiro e
coloquei um óbulo em minha boca. Entre os poucos achados e
muitos perdidos, a única constância foi esse diário.
No último desequilíbrio da Fortuna, houve um momento que pude
escolher entre meu arco e estas notas. Mas salvar o diário era todo
o importante. Mesmo ao pensar - faminto - na minha arquearia, não
consigo me arrepender.
As notas são minha imortalidade.
28.7.01
Da natureza do Mal
em 28.07.01
Após conhecer o Mal, tudo perde seu significado e se transforma. Cada rosto e lugar, sobretudo os mais familiares, se tornam outra coisa. Há um peso que perdura durante muito tempo, mesmo que a escolha tenha sido não abraçar o Mal: paga-se do mesmo jeito. Castigos não escolhem seus culpados pela razão.
E corre-se por longos corredores, por ruas escuras e escadas sem fim, perseguido por um algoz invisível, contra o qual não há nada a fazer. Há a certeza que a qualquer momento o Mal se fará presente e há a ansiedade de encontrá-lo. Por fim à fuga, às punições e confrontar ou abraçar o terror provocado por ele.
Os anos passam em fuga, na certeza de que o Mal é terrível. Até o acaso colocá-los lado a lado. E vê-se que não há motivo para temer, que os poderes do oponente se desfizeram há muito. Que não há nada mais lá.
Até que se acorda gritando, sabendo onde o Mal se instalou.
em 28.07.01
Após conhecer o Mal, tudo perde seu significado e se transforma. Cada rosto e lugar, sobretudo os mais familiares, se tornam outra coisa. Há um peso que perdura durante muito tempo, mesmo que a escolha tenha sido não abraçar o Mal: paga-se do mesmo jeito. Castigos não escolhem seus culpados pela razão.
E corre-se por longos corredores, por ruas escuras e escadas sem fim, perseguido por um algoz invisível, contra o qual não há nada a fazer. Há a certeza que a qualquer momento o Mal se fará presente e há a ansiedade de encontrá-lo. Por fim à fuga, às punições e confrontar ou abraçar o terror provocado por ele.
Os anos passam em fuga, na certeza de que o Mal é terrível. Até o acaso colocá-los lado a lado. E vê-se que não há motivo para temer, que os poderes do oponente se desfizeram há muito. Que não há nada mais lá.
Até que se acorda gritando, sabendo onde o Mal se instalou.
25.7.01
Dos Diários de Ulisses V
em 25.09.00
Lembro agora de Cassandra, pouco antes de ser arrastado para Tróia.
Uma voz fantasma a recitar o futuro, presa em transe. Ela tentou nos
dissuadir da guerra, mas seu tagarelar de futuros exatos a tornava
incapaz de convencimento. Um espelho preso numa cela.
Voltando sua atenção para eu onde deveria estar, Cassandra desfiou
cada detalhe de minha viagem. Do cavalo ao naufrágio, cada momento
foi descrito com uma rapidez e precisão impossível. E é isso que a
torna a profetisa perfeita: os futuros ocorrem por não serem
lembrados até serem já.
Me apavora não lembrar os erros que vou cometer.
em 25.09.00
Lembro agora de Cassandra, pouco antes de ser arrastado para Tróia.
Uma voz fantasma a recitar o futuro, presa em transe. Ela tentou nos
dissuadir da guerra, mas seu tagarelar de futuros exatos a tornava
incapaz de convencimento. Um espelho preso numa cela.
Voltando sua atenção para eu onde deveria estar, Cassandra desfiou
cada detalhe de minha viagem. Do cavalo ao naufrágio, cada momento
foi descrito com uma rapidez e precisão impossível. E é isso que a
torna a profetisa perfeita: os futuros ocorrem por não serem
lembrados até serem já.
Me apavora não lembrar os erros que vou cometer.
19.7.01
Dos diários de Ulisses IV
em 17.04.00
Nâo decidi se as noites no Argos me agradam. Nas noites há paz para
pensar e fazer anotações em meu diário. Há uma certa tranqülidade -
sem sentido - em não ver as pedras das quais devo desviar.
Estranho como o vento se mantem morno na noite enquanto as cabines
ficam frias. Sinto muitas saudades dos tempos antes de Tróia quando
estou lá. Me sinto mais seguro na proa, como se Posseidon quisesse
minha companhia.
Talvez por isso ele me mantenha longe de casa.
em 17.04.00
Nâo decidi se as noites no Argos me agradam. Nas noites há paz para
pensar e fazer anotações em meu diário. Há uma certa tranqülidade -
sem sentido - em não ver as pedras das quais devo desviar.
Estranho como o vento se mantem morno na noite enquanto as cabines
ficam frias. Sinto muitas saudades dos tempos antes de Tróia quando
estou lá. Me sinto mais seguro na proa, como se Posseidon quisesse
minha companhia.
Talvez por isso ele me mantenha longe de casa.
14.7.01
Dos Diários de Ulisses III
em 26.03.00
Tenho pensado muito sobre o Cíclope, sobre a existência. Com seu único
olho e forças e tamanho descomunais, o Cíclope tinha uma existência
perfeita - se julgava perfeito. Devo admitir que - a princípio - me encantei por
ele: nem o Pégaso, nem Aquiles, ele era o maior prodígio que já vira.
Percebi, porém, que o Cíclope nunca seria mais do já que era. Ovelhas e
uns marinheiros aqui e ali eram tudo que ele precisava para se satisfazer.
Diante daquilo que ele poderia ser - caso fizesse o esforço - o Cíclope me
parecia baixo e animalesco.
Foi isso que me forçou a cegá-lo.
em 26.03.00
Tenho pensado muito sobre o Cíclope, sobre a existência. Com seu único
olho e forças e tamanho descomunais, o Cíclope tinha uma existência
perfeita - se julgava perfeito. Devo admitir que - a princípio - me encantei por
ele: nem o Pégaso, nem Aquiles, ele era o maior prodígio que já vira.
Percebi, porém, que o Cíclope nunca seria mais do já que era. Ovelhas e
uns marinheiros aqui e ali eram tudo que ele precisava para se satisfazer.
Diante daquilo que ele poderia ser - caso fizesse o esforço - o Cíclope me
parecia baixo e animalesco.
Foi isso que me forçou a cegá-lo.
11.7.01
Dos diários de Ulisses II
em 15.03.00
Não é Ítaca que me causa saudades. Nem os tempos calmos antes da
Guerra. Dói reconhecer - com vergonha - que Tróia foi só uma
distração de minha tortura.
Nunca percebi quanto o mundo era grande até tentar voltar para
casa. Ele me distrai e me dá algo para tentar esconder meus
pensamentos agora. As Sereias quase me entreteram. Circe e o
Ciclope foram particularmente desafiadores.
Mas nada está além de Penélope
em 15.03.00
Não é Ítaca que me causa saudades. Nem os tempos calmos antes da
Guerra. Dói reconhecer - com vergonha - que Tróia foi só uma
distração de minha tortura.
Nunca percebi quanto o mundo era grande até tentar voltar para
casa. Ele me distrai e me dá algo para tentar esconder meus
pensamentos agora. As Sereias quase me entreteram. Circe e o
Ciclope foram particularmente desafiadores.
Mas nada está além de Penélope
Dos diários de Ulisses
11.01.00
Se uma sereia fosse isolada de seu mar - apesar de continuar com
sua beleza pouco prática - seu canto perderia o efeito. Não só
pela saudade que sentiria de suas companheiras ou pela
complicada cacofonia do grupo.
Mas por que lhe faltaria o fundo da canção. Sem o som das ondas
e a acústica do local, o canto se torna excessivamente agudo.
belo, mas difícil aos ouvidos.
É tudo que tenho a dizer sobre as sereias.
11.01.00
Se uma sereia fosse isolada de seu mar - apesar de continuar com
sua beleza pouco prática - seu canto perderia o efeito. Não só
pela saudade que sentiria de suas companheiras ou pela
complicada cacofonia do grupo.
Mas por que lhe faltaria o fundo da canção. Sem o som das ondas
e a acústica do local, o canto se torna excessivamente agudo.
belo, mas difícil aos ouvidos.
É tudo que tenho a dizer sobre as sereias.
23.6.01
Invocation II - ADT Remix
em 13.02.01
Pieces of
futures
killing
a present
I wish won´t
last.
em 13.02.01
Pieces of
futures
killing
a present
I wish won´t
last.
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