Amores Fugidios IV: Despertar
Despertaram aconchegados - de modo inocente - como irmãos, não amantes. A cama era grande, proporcional ao quarto de paredes brancas na manhã de domingo. Ficaram desorientados até que o constrangimento os acordou por completo.
Ela e ele, desorientados e preguiçosos, iam fazendo sentido das coisas. Lembrando onde estavas, da festa de sábado dos drinks em copos bonitos e de fragmentos de conversa. E percebendo as roupas fechadas, batom e cabelos relativamente no lugar.
Atrasaram o primeiro olhar, a primeira palavra, estudados de modo a criar distância e pedir desculpas. Falharam. Algo em seus olhos sonolentos os entregava. Convidaram-se para o café na copa bagunçada.
Após os restos, se esgueiraram pela casa, mal contendo o riso pela situação. Um voltou para a cama, o outro para casa. O telefone dela ficou no guardanapo, sobre a mesa.